Por Mariana Bombi
O post hoje vai trazer algumas considerações sobre a característica da moda de “ir e vir” através da atemporal, Coco Chanel (estilista francesa do ínicio do século XX).
Todos nós compartilhamos uma carga de herança cultural,ou seja, momentos que foram vividos e que através dos paradigmas de cada cultura formam a memória coletiva. A moda então se apoia e se inspira nesse imaginário para traduzir por meio de tecidos, modelagens, estampas, novas matérias primas o que pensamos hoje.
Para Queila Ferraz, estudiosa de História da Moda, consultora de design e gestão industrial para confecção, e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção.
“O que sustenta na verdade o Revival (retrô) é o gosto, intencionalidade poética, é a forma de ligar-se afetivamente ao próprio tempo, podendo viver o presente e estar eternamente ligado ao passado” diz.
Um exemplo claro disso são as criações da estilista Coco Chanel, no ínicio do século XX, que revolucionaram a maneira da mulher se vestir e que continuam fazendo parte do guarda-roupa feminino como peças chave.
Nascida em Saumur, França, em 19 de agosto de 1883, Gabrielle “Coco” Chanel chegou a Paris aos 16 anos. Graças a sua infância dífícil (já que aos seis anos ficara órfã) Chanel buscou alternativas de sobrevivência e criatividade na hora de se vestir. Em 1910 abriu sua primeira loja, de chapéus ajudada por seu amante, Etienne Balsam e alguns amigos. Desde então o sucesso de suas criações ganharam espaço e a modista virou referencia na Europa. Chanel esteve sempre ligada às principais correntes artísticas da primeira metade do século 20, entre seus amigos íntimos Picasso, o compositor russo Igor Stravinsky o grande coreógrafo, também russo, Diaghilev, e o artista francês, Jean Cocteau entre outros.
Chanel libertou a mulher das faixas e cintas, dos corpetes apertados, das saias amplas de múltiplos babados e franzidos do fim do século XIX e começo do século XX. Introduziu na alta-costura o jérsei de malha, os trajes de tecidos xadrez e a moda escocesa. Para a noite, Chanel criou vestidos em negro metálico, vermelho escarlate ou bege. Laços e paetês.
Foi resposável também, pela peça mais conhecida entre o público feminino, o famoso “pretinho básico”, datado de 1926 (ilustração na revista “Vogue” mostrava o vestido desenhado por Chanel). Além do também famoso tailleur, coringa na montagem dos looks.
Segundo Ciça Mattos, publicitária formada em Moda na London College of Fashion e Marketing na New York University (NYU). E estuda comportamento de consumo de moda. “A estilista, ao se apropriar de peças do guarda-roupa masculino, mostrou a todos que era possível criar uma moda esportiva e confortável sem perder a elegância, o charme e, principalmente, a feminilidade. [...] Chanel conseguiu traduzir as aspirações da mulher moderna e revolucionou a moda ao propor trajes confortáveis e funcionais.”
Em 1923, já com 40 anos Coco lançou o perfume mais famoso de sua grife o Chanel N.º 5.
Com a eclosão da II Guerra Mundial, a estilista optou por fechar seu ateliê, mas retornou ao mercado com sucesso, em 1954.
Para Claudia Garcia, no especial de Moda da Folha diz que “Seus modelos simples, ao alcance da mulher de bom gosto e de poucos recursos, foram muito imitados e confeccionados em mais categorias de preços do que qualquer outra criação da alta-costura. Foi ela também quem introduziu as falsas jóias ao mundo da moda.”
”O dinheiro nunca significou muito para mim, mas a independência (conseguida com ele), muito.”
Coco Chanel
Em um século dominado pelos avanços tecnológicos, a aceleração do tempo, dos modos de produção, transformações políticas e ideológicas Coco Chanel soube criar uma mulher feminina, independente e pronta para encarar os desafios desse período tão turbulento.
Faleceu aos 87 em uma suíte do Hotel Ritz onde residia. A Maison ficou sob o comando de Karl Lagerfeld.
“Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher.”
Coco Chanel
O filme “Coco avant Chanel” (Coco antes de Chanel) de Anne Fontaine, estreiou nos Estados Unidos no dia 25 de setembro do ano passado. O longa teve sua primeira exibição no Brasil no dia 4 de outubro do mesmo ano, dentro da programação do Festival do Rio.

